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Empoderamento educacional

Oportunidades reais para formação de indivíduos conscientes e para a construção de novos projetos de vida.

Por Ivan Aguirra

“No Paquistão, quando sou proibida de ir à escola, compreendo o quão importante é a educação. A educação é o poder das mulheres. (…) Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados.”
É assim que a pequena notável Malala Yousafzai enxerga o horizonte e, por meio das novas tecnologias, pôde fazer ecoar sua voz.

Educação é um ato político, e se é na sociedade (seja física ou digital) o nascedouro de faíscas de perspectivas para um mundo mais igualitário, a escola deve ser o seu maior berçário.

Num momento sombrio de discussões sobre partidarismo na escola, ganha força o debate sobre homeschooling, o ensino doméstico, familiar. E isso tem tudo a ver com a difusão das novas tecnologias: o maior acesso à informação permite às pessoas ter a pretensão de que podem ser professores, mas se esquecem de que um dos principais papéis da escola –para além do espaço físico – é justamente apresentar à criança o diferente e a grandiosidade do mundo.

O homeschooling remete muito às redes sociais digitais no sentido da informação sem curadoria acadêmica e das chamadas bolhas informacionais: assim como nas redes sociais, a tendência é buscar os iguais e excluir tudo que é diverso a nós; a educação doméstica tende a reproduzir somente aquilo que é conveniente às crenças e convicções daquele núcleo familiar.

A escola, afinal, é lugar de empoderamento. Termo tão ouvido e reverberado nesta década, empoderamento é um neologismo criado por Paulo Freire (sim!), que teve origem no termo inglês “empowerment”. Freire criou o termo para debater com o psicólogo norte-americano Julian Rappaport, criador do termo a partir da palavra “power”, com o objetivo de difundir a importância de dar voz e condições de igualdade às chamadas minorias.

No século XXI, a palavra retornou à luz de uma nova sociedade com velhos embates com o outro. E nunca a escola foi tão atual como meio de emancipação, protagonismo e autonomia. Mas o desafio da escola continua sendo o da representação e quebra de paradigmas. De despertar nas meninas o gosto pelas exatas e pela programação, mostrar que a cor da pele é um traço da riqueza cultural do mundo, abordar a singularidade de um sentimento, o potencial por trás de uma dita deficiência, de uma dificuldade nata que pode ser revertida ou compensada pela integração em comunidade. De mostrar que o fracasso faz parte do processo para conquistar algo impensável. De mostrar o engajamento coletivo pode superar pandemias.

Empoderamento é construir em grupos heterogêneos instrumentos para poder entender o mundo, fazer ecoar seus discursos e concretizar itinerários únicos, com autonomia e respeito ao próximo. Quando se respeita e engrandece o outro, vive-se plenamente sem valorizar clichês que cerceiam o horizonte de novas perspectivas. O papel da escola envolve, primariamente, emancipação de mundo.

E para isso, a sociedade precisa entender que precisa empoderar seus professores, para que eles possam fazer o mesmo com as novas gerações. E tirar como lição de todo esse momento que estamos vivendo que escola não é um lugar, é parte de quem somos.

André Lázaro
É diretor da Fundação Santillana no Brasil, professor da UERJ e pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Atuou por mais de sete anos no Ministério da Educação, nas áreas de gestão pública, educação, direitos

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