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O FUTURO HABITA A ANCESTRALIDADE

A CONSTRUÇÃO de uma educação comprometida com a equidade exige coragem para olhar a realidade frente a frente e ter disposição para transformá-la. Nesta edição, convidamos você a refletir sobre um tema não apenas urgente, mas estrutural, para as escolas brasileiras: o racismo.

Embora o Brasil seja um país marcado pela diversidade, as desigualdades raciais continuam presentes no cotidiano. De acordo com o último Censo Demográfico, nossa composição racial é formada por 45,3% de pardos, 43,5% de brancos, 10,2% de pretos, 0,6% de indígenas e 0,4% de amarelos. Segundo o IBGE, que utiliza a autodeclaração como classificação de raça e cor, a população negra (pessoas pretas e pardas) representa a maioria da população, ultrapassando 56% dos habitantes. Ainda assim, indicadores de renda, acesso a oportunidades e condições de vida revelam que o racismo estrutural segue produzindo impactos significativos.

A escola ocupa um papel essencial para caminhos mais justos. Mais do que cumprir determinações legais ou incluir conteúdos específicos no currículo, educar para as relações étnico-raciais significa criar ambientes seguros em que todos possam se reconhecer, de senvolver seu potencial e participar plenamente da vida. Trata-se de promover aprendizagens que fortaleçam o respeito, a justiça social e a valorização das nossas histórias e identidades.

Essa edição conta com olhares diversos de pesquisadores, especialistas e educadores que vêm contribuindo de maneira significativa para ampliar o debate e qualificar as práticas antirracistas. Nosso agradecimento especial a Nilma Lino Gomes, entrevistada desta edição, que integra o time de consultores da Fundação Santillana e que nos apoiou na criação das pautas.

Ao longo das páginas, você encontrará reflexões sobre os desafios contemporâneos da educação para as relações étnico-raciais, análises sobre políticas públicas voltadas à equidade e experiências inspiradoras. A seção Pensamento acadêmico, por exemplo, conta com o olhar do pesquisador e ativista negro José Victor Nunes Mariano sobre a trajetória e as conquistas do Movimento Negro brasileiro para uma educação pública que seja símbolo de resistência, mas também sinônimo de empoderamento.

Mirella Araújo apresenta a importância da representatividade antirracista na escola e a importância de espaços e referências que não apenas a
conscientizem, mas que deem voz e façam parte do cotidiano coletivo. Convidamos, também, a autora, pesquisadora e ialorixá Rosiane Rodrigues, finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico, para falar sobre as inspirações que deram origem à obra Omodé e Curumim: infâncias indígenas e afro-brasileiras. Mostramos experiências reais de gestores e professores que têm transformado intencionalidade pedagógica em ação concreta, promovendo representatividade, revisão de práticas, valorização da cultura afro-brasileira e construção de espaços mais inclusivos para todos.

Queremos que esta edição seja um espaço de aprofundamento e um convite ao engajamento de cada um, oferecendo subsídios para que sua comunidade possa ampliar repertórios e fortalecer práticas. Afinal, valorizar a ancestralidade para construir o presente promoverá um futuro com mais sabedoria e consciência social.


Ivan Aguirra Izar
DIRETOR DE MARKETIN GESERVIÇOS EDUCACIONAIS DA MODERNA

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