fbpx

Quando o ambiente educa: representatividade antirracista na trajetória escolar

Representatividade não é detalhe: livros, paredes, brinquedos e projetos pedagógicos refletem a diversidade brasileira. A escola também ensina pertencimento, respeito e equidade.
Texto: Mirella Araújo

“O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora”, escreveu Carolina Maria de Jesus, em Quarto de despejo, seu primeiro livro, de 1960. Escrita em forma de diário, a obra relata o cotidiano da autora na Favela do Canindé, em São Paulo, e conquistou uma imensa – e rara – acolhida entre crítica e público. O sucesso foi tão estrondoso, que o livro chegou ao topo das listas de mais vendidos, superando autores já consagrados como Jorge Amado e Jean-Paul Sartre, e ganhou o mundo, sendo publicado em 46 países.

A PRESENÇA mais explícita da equidade racial entre as estratégias do novo Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2026-2036 sinaliza que o enfrentamento das desigualdades raciais passou a ocupar um lugar mais central nas políticas educacionais brasileiras. Entre as medidas previstas estão critérios para reduzir desigualdades étnico-raciais no acesso às creches e ações voltadas ao acompanhamento da permanência de crianças negras, indígenas, quilombolas e de outros grupos historicamente vulnerabilizados. Nas demais etapas de ensino (Fundamental e Médio), também são previstas diretrizes contra o racismo e a obrigatoriedade de formação dos professores com foco na equidade, além do monitoramento das metas a cada dois anos, usando dados desagregados por raça, renda e território. Apesar desse avanço e de marcos legais já consolidados, como as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, o desafio permanece na transformação dessas diretrizes em práticas efetivas no cotidiano escolar. A existência da legislação, por si só, não garante a construção de uma educação antirracista.

Para além do currículo formal e das práticas pedagógicas, a educação antirracista também se expressa no que a escola escolhe tornar visível em seus espaços. Murais, cartazes, livros, brinquedos e imagens que circulam nos ambientes escolares comunicam, de forma silenciosa, quais histórias são valorizadas e quais sujeitos são reconhecidos. Por isso, esses elementos precisam ser pensados sob a ótica da equidade racial e da representatividade. Importante destacar que o ambiente escolar não é neutro: ele também educa ao produzir referências, imagens e ausências que impactam diretamente a forma como as crianças percebem a si mesmas e ao outro.

Um estudo do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana, realizado em 2022 com 1.187 Secretarias Municipais de Educação (21% das redes do país), mostrou como os desafios permanecem atuais, mesmo após duas décadas da implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. A pesquisa revelou que 71% das secretarias realizam poucas ou nenhuma ação para sua efetivação. Desse total, 53% desenvolvem iniciativas de forma menos estruturada, episódica e reativa, geralmente associadas a projetos isolados ou a datas comemorativas, como o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. Apenas 29% apresentam ações consistentes e contínuas.

No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professor Paulo Rosas, localizado no bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife (PE), a realidade das 130 crianças atendidas, do berçário ao Grupo V, vem sendo transformada a partir da compreensão de que a educação antirracista precisa estar presente não apenas no currículo e na formação dos profissionais, mas também na organização dos espaços, nas imagens expostas e nos materiais acessíveis às crianças.

A gestora da unidade de ensino, Keila Macêdo, que possui 20 anos de docência, chama a atenção sobre como o acolhimento das identidades raciais e religiosas tem contribuído para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e do engajamento das crianças. “É na educação infantil, nesse processo, que a gente desmistifica a ideia de que existem lugares determinados para algumas pessoas e não para outras. Entre todas as crianças, sejam elas brancas ou pretas, reforçamos que há espaço para todos, com suas características e singularidades.”

Esse trabalho tem sido fruto de uma parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do projeto Racismo na Infância: Educação Antirracista e Autoproteção, idealizado pela professora e pesquisadora Valeria Nepomuceno Teles de Mendonça, e tem fortalecido o cotidiano pedagógico da unidade. Os professores participaram de uma formação que, inicialmente, abordou a autoproteção na primeira infância a partir da perspectiva da educação antirracista. Em seguida, discutiu-se o caráter coletivo desse processo, promovendo reflexões sobre quais materiais de qualidade poderiam ser utilizados, que tipo de literatura poderia ser ofertada para ampliar a representatividade e quais referências poderiam compor os espaços da escola.

A formação resultou em diversas iniciativas pedagógicas voltadas ao fortalecimento da identidade das crianças, como o projeto didático Sankofa: Afetividade e Ancestralidade Contam a Minha História, realizado em 2024, que buscou contribuir para uma educação infantil antirracista por meio do conhecimento e do reconhecimento das contribuições dos povos indígenas, africanos e afro-brasileiros para a formação social, econômica e histórica do Brasil. A proposta utilizou as interações e as brincadeiras para promover vínculos afetivos e ampliar o repertório das crianças sobre diferentes pertencimentos e trajetórias.

As obras literárias trabalhadas em sala de aula deram origem a diferentes experiências pedagógicas. A partir do livro Todas as cores da Terra, de Aloma, as crianças produziram geotinta – uma tinta ecológica feita à base de solo, água e agente fixador – e exploraram possibilidades artísticas com o material. Já a leitura de Uma arara e sete papagaios, de Ana Maria Machado e Claudius, inspirou uma atividade em que os alunos receberam a missão simbólica de devolver uma arara à natureza, recriando uma mata por meio de pinturas em uma das paredes da escola. Com Como surgiu o beija-flor, de Yaguarê Yamã, foi realizado um chá da tarde com a participação das famílias, momento em que foram compartilhadas histórias e conhecimentos dos povos originários.

“Os depoimentos que recebemos ao final dos projetos e do ano letivo mostram o quanto as crianças se sentem empoderadas nesse espaço. As paredes comunicam com muita força aquilo que está sendo trabalhado e conversado com elas. As famílias percebem isso e nos dão esse retorno sobre um processo educativo que também as fortalece e contribui para romper esses ciclos [de preconceito]”, relata Keila.

Ainda segundo a gestora da CMEI Professor Paulo Rosas, um dos momentos mais emocionantes do projeto foi a escolha do nome da biblioteca da unidade, definida por meio de votação com a participação de toda a comunidade escolar. A homenageada foi a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914- 1977). A iniciativa ganhou um significado especial quando, durante as atividades sobre a autora, uma criança de 3 anos associou sua trajetória à história da própria família. “Ela parece com a minha avó. Minha avó também morava na favela”, comentou. Segundo a gestora, o menino pediu para levar para casa a biografia de Carolina para mostrá-la à avó. “Olha, vovó, como ela lembra você”, disse o aluno, entusiasmado.

Para a equipe pedagógica, episódios como esse demonstram como a representatividade contribui para que as crianças construam vínculos entre a própria história e as narrativas apresentadas pela escola. Mesmo que os primeiros contatos com referências de pertencimento possam ocorrer ainda na Educação Infantil, especialistas defendem que a educação antirracista deve acompanhar os estudantes em todas as etapas de ensino, atravessando o currículo escolar de forma contínua e estruturante, sem se restringir a disciplinas específicas ou a projetos pontuais.

Na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Fernando Mota, localizada no bairro de Boa Viagem, no Recife, o professor de Matemática Valfrido Costa tem desenvolvido ações de educação antirracista que articulam conteúdos curriculares e valorização da diversidade étnico-racial. Em 2024, a feira de matemática teve como tema A Matemática e o Continente Africano: Um Passeio pela África, apresentando contribuições de personalidades negras para áreas como Matemática, Física e Tecnologia e fortalecendo referências de pertencimento e ancestralidade.

“A Matemática vai além de números, operações, espaços, fórmulas ou do simples tratamento de informações, grandezas e medidas. Ela cumpre um papel social, e, com base nisso, estamos há alguns anos trabalhando para valorizá-la e divulgá-la de forma mais popular, acessível e significativa no cotidiano dos estudantes”, disse o docente.

Com o projeto História do Turbante, os alunos do Ensino Médio puderam explorar a trajetória histórica e os significados culturais dessa vestimenta de matriz africana, ao mesmo tempo em que utilizaram conceitos matemáticos relacionados a medidas, a proporções e a formas de confecção. A escola também promoveu espaços de diálogo sobre racismo e discriminação, incentivando a reflexão crítica dos estudantes sobre as desigualdades raciais presentes na sociedade.

LETRAMENTO RACIAL E REPRESENTATIVIDADES MAIS DIVERSAS COMO CAMINHO

A professora da rede municipal do Recife Fátima Oliveira, que atuou como coordenadora do Grupo de Trabalho em Educação das Relações Étnico-Raciais (Gterê) até 2018, destaca a importância de desconstruir padrões historicamente impostos e combater estereótipos raciais desde os primeiros anos da escolarização. A docente enfatiza que esse processo passa pela ampliação das referências culturais e históricas apresentadas às crianças. “Mediante as discussões realizadas nos processos formativos no contexto da Educação das Relações Étnico-Raciais (Erer), refletimos sobre a necessidade de desconstruir esse padrão imposto, dialogando com as reflexões de Chimamanda Adichie em O perigo da história única. Trata-se de questionar a perspectiva colonizadora e reconhecer a pluralidade étnica que constitui a nossa sociedade, contribuindo para a humanização das relações e para a reconstrução da dignidade humana”, explica.

Para a educadora, a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas depende da formação continuada de todo o corpo docente das redes pública e privada. O objetivo é promover o letramento racial e garantir que educadores compreendam que essa política pública busca assegurar aos estudantes e à comunidade escolar o direito à igualdade de oportunidades, ao acesso às diferentes histórias e culturas que compõem a sociedade brasileira e ao reconhecimento da diversidade pluriétnica prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais. “Caso contrário, a atividade ficará reduzida a uma data comemorativa ou ao cumprimento de uma exigência administrativa, sem produzir mudanças efetivas no cotidiano escolar”, afirma.

Ao analisar a presença de referências negras nas atividades pedagógicas, Fátima observa que ainda há limitações. Quando heróis, lideranças e personalidades negras são apresentados às crianças, as referências costumam se concentrar em poucos nomes, frequentemente ligados ao esporte e com pouca representação feminina. Para ampliar esse repertório, a educadora defende que as escolas valorizem, também, as lideranças presentes no próprio território. “É importante identificar quem são as mulheres benzedeiras, as tapioqueiras, as lideranças comunitárias e as participantes de movimentos sociais. As crianças precisam perceber a relevância do trabalho dessas pessoas e compreender que elas podem ser suas avós, tias, mães ou outras referências próximas”, destaca. “Essa ausência fortalece o status quo e os padrões impostos pelo pacto da branquitude. Tudo aquilo que foge desse padrão, especialmente as referências negras e indígenas, acaba sendo visto como inferior, inadequado ou fora do lugar”, conclui.

A professora da rede municipal de ensino do Recife Hellen Lima endossa que, quando a creche e a pré-escola ignoram o debate racial, elas acabam reforçando as desigualdades já presentes na sociedade e que isso pode reverberar nas demais etapas da trajetória escolar. “As crianças negras acabam crescendo sem referências positivas de sua identidade e as crianças não negras acabam reproduzindo preconceitos e estereótipos. O silêncio sobre o racismo não apenas não combate como também contribui para a sua manutenção”, afirma a docente.

Hellen revela que parte da resistência em trabalhar o tema vem das próprias gestões escolares. “Eu trabalho numa comunidade periférica majoritariamente negra. Na minha sala, por exemplo, tenho 21 crianças, e, em sua maioria, meninas e meninos negros. Então, exploramos muitas vivências que busquem garantir a diversidade presente no cotidiano da instituição. Não apenas nas experiências pedagógicas, mas também no próprio cotidiano, com imagens expostas, brinquedos disponíveis e nas relações estabelecidas entre adultos e crianças”, completa a professora.

No caso da rede municipal de ensino do Recife, a professora avalia que ainda há muitos desafios para que essa representatividade seja efetivamente garantida. Um deles é a própria perspectiva adotada pelos docentes. “Eu mesma, enquanto docente negra, considero isso extremamente importante. Mas há docentes que não têm essa pauta como prioridade. Então, é necessário refletir muito sobre isso”, destaca Hellen.

A professora reforça, ainda, que datas como a Semana da Consciência Negra não são suficientes para fortalecer uma autoestima que, frequentemente, é negligenciada ou desvalorizada. Por isso, busca garantir às crianças outras formas de se perceberem e de construírem suas identidades, longe de representações negativas ou estereotipadas, assegurando que essa representatividade seja fidedigna.

AS MÚLTIPLAS INFÂNCIAS E AS DESIGUALDADES RACIAIS

Reformular o Projeto Político-Pedagógico (PPP) para garantir uma educação antirracista desde a Educação Infantil, a partir do reconhecimento, do pertencimento e do respeito à diversidade, é, antes de tudo, entender que a escola precisa reconhecer que há múltiplas infâncias e que elas precisam ser consideradas em suas diferentes realidades, seus territórios e suas experiências.

Segundo a psicóloga Mayara Pérola, mestra em Educação, Culturas e Identidades pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pesquisadora do campo das infâncias, adolescências e parentalidades, quando se fala em infância de crianças negras, há uma diferença grande em relação às infâncias de crianças brancas. Ela cita como referência o livro Democratização do colo: Educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas, em que a educadora Jussara Santos expõe que dentro da educação infantil existe uma dinâmica em que crianças negras são compreendidas como se não precisassem ou não demandassem tanta atenção, colo e cuidado quanto as crianças brancas nas instituições de ensino. “Parece que, de alguma forma, ainda há quem considere que nem todas têm direito de ser criança, o que é profundamente atravessado pelos efeitos do racismo. As escolas precisam movimentar essa discussão para pensar numa sociedade mais justa e equitativa”, pontua.

Alguns dados sobre a primeira infância podem ajudar a dimensionar como o racismo se manifesta desde cedo na trajetória de crianças brasileiras. É o caso da pesquisa nacional Panorama da Primeira Infância: O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha a pedido da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e divulgada em 6 de outubro de 2025, que revela que uma em cada seis crianças de até 6 anos já foi vítima de racismo no país.

O levantamento foi conduzido em abril de 2025, por meio de entrevistas presenciais em locais de grande circulação. Ao todo, foram ouvidas 2.206 pessoas, incluindo 822 responsáveis por bebês e crianças de 0 a 6 anos. Entre os cuidadores entrevistados, 16% afirmaram que a criança sob sua responsabilidade já sofreu discriminação racial. Os episódios são mais frequentes entre crianças de 4 a 6 anos, o que pode estar relacionado ao fato de que as mais novas ainda não conseguem identificar ou expressar situações de preconceito e discriminação.

A pesquisa também evidencia diferenças na percepção sobre o tema. Enquanto 65% dos responsáveis pretos e pardos acreditam que crianças na primeira infância podem ser vítimas de racismo, esse percentual é de 57% entre os responsáveis brancos. Entre os 3 e os 5 anos de idade, as crianças já começam a perceber diferenças raciais, muitas vezes associadas a valores negativos, como características do cabelo e traços físicos. Esse processo, inserido em um contexto social mais amplo, pode levar à reprodução de comportamentos racistas já na primeira infância.

“O racismo estrutural decorre, em grande medida, desse lugar. É importante dizer que o racismo estrutural é uma questão da branquitude; não se trata de um problema das pessoas negras. Por isso, acho importante pensar, por exemplo, no campo das políticas públicas: o que a educação tem feito para intervir de forma interessante, prevenindo e atuando diante de situações em que o racismo aparece de forma mais ostensiva e violenta, ou mesmo de formas mais sutis?”, questiona Pérola.

Para a psicóloga e pesquisadora, isso passa por mudanças concretas no cotidiano escolar. “Ter brinquedos na escola que tragam referência de diferentes tons de pele, trazer referências da nossa história indígena e africana, e não apenas esse lugar das pessoas negras como vítimas ou somente associadas à dor no processo de escravização, mas também à potência cultural, é fundamental”, afirma.


Mirella Araújo
é jornalista formada pela Uninassau, com experiência na cobertura de temas relacionados à política e à educação. Atuou como repórter nas editorias de Política e Cotidiano da Folha de Pernambuco entre 2012 e 2019. Desde 2019, integra a equipe do Jornal do Commercio, onde iniciou na editoria de política, assumindo, posteriormente, a coluna Enem e Educação.


Para Saber Mais

  • ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. TEDGlobal, Disponível em: https://mod.lk/ed29_ps1. Acesso em: 29 jul. 2026.
  • ALOMA. Todas as cores da terra. Ilustrações de Isabela Santos. 1. ed. São Paulo: Bamboozinho, 2022.
  • FUNDAÇÃO MARIA CECILIA SOUTO VIDIGAL. Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo. São Paulo: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 2025. Pesquisa realizada pelo Datafolha. Disponível em: https://mod.lk/ed29_ps3. Acesso em: 29 jul. 2026.
  • MACHADO, Ana Maria. Uma arara e sete papagaios. Ilustrações de Claudius. 2. ed. São Paulo: Salamandra, 2014.
  • SANTOS, Jussara. Democratização do colo: educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas. Campinas, SP: Papirus, 2024.
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE). Racismo na infância: educação antirracista e autoproteção. Projeto de extensão. Recife: UFPE, 2023. Disponível em: https://mod.lk/ed29_ps4. Acesso em: 29 jul. 2026.
  • YAMÃ, Yaguarê. A origem do beija-flor: Guanãby Murũ-gáwa. Ilustrações de Taisa Borges. 1. ed. São Paulo: Peirópolis, 2012.
Compartilhe!